Projeto reúne fotos de mais de 100 'carregadores' de bonecos gigantes de Olinda; veja imagens

  • 25/02/2026
(Foto: Reprodução)
Projeto reúne imagens de manipuladores de bonecos gigantes de Olinda Rostos suados, olhares repletos de orgulho e cansaço. Escondidos atrás dos tecidos que vestem os tradicionais bonecos de Olinda, mais de uma centena de homens foram fotografados no projeto “Manipuladores de Gigantes”, do multiartista André Nomes. A iniciativa, além de trazer protagonismo para os carregadores, busca criar um registro histórico e documental de quem carrega no próprio corpo o maior símbolo cultural do carnaval da cidade (veja vídeo acima). Um trabalho que começou sem pressa, com uma observação atenta e respeitosamente distante. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Nascido e criado na Linha do Tiro, bairro da Zona Norte do Recife, André é pichador, muralista e escritor urbano. Conhecido pelo pseudônimo “Nomes”, em 2024 o artista começou a se aproximar dos manipuladores para conhecê-los. Somente em 2025 os primeiros registros foram feitos e agora, em 2026, a proposta começou a ganhar forma. Em entrevista ao g1, André Nomes explicou que a proposta inicial era fotografar os manipuladores de bonecos gigantes para produzir uma série de pinturas baseadas nas imagens. Com mais de 100 homens já fotografados, o projeto ganhou sua primeira forma no meio digital. “Eu comecei a observar de longe. Nunca gostei de chegar ‘com os dois pés’, sabe? No ano passado foi que conheci alguns manipuladores. Já conhecia alguns pelo lado artístico, porque alguns, além de manipular, são artesãos, fazem bonecos, alguns têm bloco também. Fui fazendo esse estudo mesmo sem fazer fotografia, pegando autorização, fazendo amizade… fui chegando meio que nesse estudo mais presente”, afirmou. Carregadores Andrezinho (esquerda e direita) e Wellington (centro) André Nomes/Divulgação Segundo André Nomes, além da produção artística, a ideia é criar uma espécie de catálogo e registro histórico dos manipuladores, já que muitos são moradores de comunidades e bairros periféricos de Olinda. E, mesmo brilhando por décadas nas ladeiras, grande parte desses personagens que sustentam os bonecos nas costas não são conhecidos pelo grande público. “Foi também uma forma de catalogar, porque é muita história. Alguns morrem, outros são envolvidos com outras coisas e acabam sumindo, assumindo outros papéis, outras profissões e deixando [de carregar bonecos]. Eu queria, de fato, catalogar mesmo, criar memória para as próximas gerações”, comentou Nomes. Carregadores Macarrão (esquerda), Mauro Sérgio (centro) e Carlos da Burra (direita) André Nomes/Divulgação Paixão pelo Menino da Tarde André é apaixonado pelo bloco e boneco “Menino da Tarde”, criado em 1974 por Silvio Botelho, para representar o filho do “Homem da Meia-Noite” com a “Mulher do Dia”. Foi a partir dessa agremiação que o artista começou seu estudo. Alguns dos registros foram realizados também em vídeo, com entrevistas a manipuladores como Carlos Alberto Fernandes, conhecido como Carlos da Burra. Com mais de 60 anos, ele é o carregador oficial do “Homem da Meia-Noite” e já levou diversos outros bonecos consagrados, como o “John Travolta” e o “Garoto de Vassoura”. “Para mim, é uma vitória que Deus me dá e tenho só a agradecer a Ele e a todos os foliões de Olinda. Em todos os bonecos eu fico ansioso. Hoje, eu vou ser o 'Garoto de Vassoura'... amanhã, eu vou ser o 'Homem da Meia-Noite'... outra noite, eu vou ser 'O Cara'... todos os bonecos, meus, tem o meu personagem. Eu me incorporo nos meus bonecos", comentou Carlos da Burra em vídeo registrado por André Nomes. Os registros de André são marcados pelo contato e pela oralidade. Dos mais de 100 manipuladores fotografados, cerca de 30 já tiveram os nomes registrados. Destes, alguns ainda contam apenas com os apelidos anotados durante a agitação do frevo. Retalhos de um trabalho ainda em construção. “Já são mais de 100 [manipuladores fotografados]. Eu já conheço entre uns 20 e 30, de trocar uma ideia e tal, mas são mais de 100. Eu não cataloguei todos. [...] Eu não tenho acesso, ainda, a todos os nomes. Eu não quero tipo assim: ‘Ah, já me dá o nome de todo mundo lá, já me dá não sei o quê’. Minha minha ideia só é dar protagonismo a isso”, explicou André. Carregadores Hugo Maroto (esquerda), Paulo César (centro) e Washington Ferreira (direita) André Nomes/Divulgação Para o futuro, ficam os planos de um livro com as fotografias e a exposição das pinturas que ainda serão produzidas com base nas imagens. Até lá, o digital continua como moldura de uma proposta que já tem forma e propósito. Confira trecho de um dos relatos do artista: "Cada boneco pede algo diferente. Alguns exigem preparo. Alguns pedem acordo. Alguns são levados com devoção. Vi manipuladores que carregam vários gigantes. Vi outros que se dedicam a um só. Vi cumprimentos às orquestras, aos moradores, às crianças, aos mais antigos, aos passistas. Vi bonecos se cumprimentando nas esquinas. Vi o esforço nas colunas. Vi o revezamento silencioso. Vi o cuidado coletivo para que o gigante dance com segurança e elegância. Vi cansaço. Vi alegria. Vi responsabilidade". VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/carnaval/2026/noticia/2026/02/25/projeto-reune-fotos-de-mais-de-100-carregadores-de-bonecos-gigantes-de-olinda-veja-imagens.ghtml


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